A SABEDORIA DO DESAPEGO

desapego: águia em voo livre

Hoje vou recontar uma fábula Indiana para falar de desapego. Ela conta a história de uma águia que, enquanto voava sobre o campo, viu um peixe na superfície de um rio. Ela mergulhou rapidamente e com muita destreza, conseguiu capturar o peixe, para depois alçar vôo novamente, carregando o peixe no bico. Porém, logo depois, um bando de corvos que estava presenciando a cena, voou em direção à águia, e ela, que normalmente não tinha medo de corvos, se viu rodeada por muitos deles que gritavam ao seu redor chamando ainda mais corvos. A águia tentou fugir, mas os corvos a atacavam com bicadas que a impediam voar.

Ela se manteve firme e tentou encontrar possíveis saídas, mas nada tinha resultado. Foi então que a águia percebeu que tudo aquilo era porque ela ainda estava carregando o tal peixe no bico. Então ela decidiu optar pelo desapego. Abriu o bico e deixou o peixe cair. Os corvos voaram atrás do peixe e a águia finalmente conseguiu levantar vôo, e voar leve e livremente. Alto. Sem nada para impedi-la. Em paz.

A difícil arte do desapego

Essa antiga fábula refere-se a como, em muitas ocasiões, o apego a algumas coisas pode nos criar problemas que poderíamos resolver se apenas deixássemos ir o que está nos atrapalhando. Mas na vida real, porém, não é tão fácil praticar o desapego e ver quais são os “peixes” que nos impedem de voar. Na verdade, muitos desses peixes provavelmente não foram sempre um problema, mas por algum motivo se tornaram um fardo, e às vezes levamos um tempo até perceber que são a razão por trás da dificuldade no nosso vôo. E isso se repete com freqüência quando investimos tempo, esforço e / ou dinheiro em alguma coisa, pois temos a tendência de querer permanecermos firmes nesse caminho, mesmo que isso signifique um investimento ainda maior. Ou mesmo que isso nos prejudique.

Fazemos isso porque é difícil praticar o desapego. É difícil querer abrir mão do peixe. E se o peixe tiver sido um erro, é difícil admitir o erro. E ao invés de deixar o peixe, ficamos confusos e não conseguimos ver claramente o que está acontecendo conosco, e nos aferramos ainda mais ao passado e conhecido peixe. Mas é preciso coragem e força para deixar o peixe ir. Precisamos exercer o desapego, que por si só pede uma análise mais profunda e madura para percebermos o que não faz mais sentido.

O desapego, ao contrário do que muitos pensam, não significa ser indiferente, mas sim desenvolver uma atitude ativa em relação ao que nos bloqueia. De deixar o mundo seguir seu curso, sem nos agarrarmos ao que deve mudar. Ter uma mente aberta e receptiva, alterar o curso, liberar o lastro.

Dicas para começar:

  • Ter um objetivo por trás do desapego

Definir o que se está buscando por trás do desapego: é uma mudança de carreira? Se sim, como pode materializar isso? Algumas ideias: mudar de emprego, mudar de país, mudar de mentores…

  • Fazer o desapego aos poucos, por categorias

Dar passos pequenos, começar aos poucos. Comece com uma limpeza nos livros, depois nos armários, nos hábitos, nas companhias para o almoço, nas séries que assiste e assim por diante. Comece aos poucos, mas comece! Pense em como seus desapegos abrem espaço!

  • Assumir sua realidade, viver no presente, preparar o futuro

Aceitar que nada nesta vida é eterno e permanece sempre igual é um primeiro grande passo. Entender e deixar o passado em seu lugar, para que não seja um fardo para carregarmos no presente. O passado já foi, pratique o desapego e foque no que importa: viver o presente, preparar sua carreira para o futuro!

Na carreira, tudo é mutável, transitório e cíclico, e praticar o desapego faz parte da nossa evolução! O que você precisa revisar em sua carreira hoje para abrir espaço para toda a transformação que está chegando?

 

Fica o convite à reflexão!

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Nora Mirazon Machado – sou formada em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com MBA em marketing pela FGV e especializada em liderança pela Harvard Business School. Tenho mais de 25 anos de experiência como executiva de Marketing. Atuei em empresas renomadas como Pepsico, Adams e Danone.

Há três anos encontrei na integração entre marcas, pessoas e carreiras, a área ideal para colocar minha experiência em prática. Empreendi, e sou co-fundadora da Trilogie, empresa de Branding e Carreira, que tem como propósito ampliar a visão dos profissionais em relação à uma gestão mais consciente e estratégica de suas carreiras.

Trabalho como Estrategista de Marca Pessoal e Carreira, orientando profissionais no planejamento de suas estratégias de carreira, e desenvolvimento de marcas pessoais e reputação.

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