VOCÊ BUSCA POR UM SENSO DE PROPÓSITO E SABER QUE SEU TRABALHO FAZ A DIFERENÇA?

senso de propósito

Recentemente li uma pesquisa conduzida pela Harvard Business Review em parceria com o Facebook, que sugeria que a Teoria das Necessidades Humanas, retratadas na famosa pirâmide de Maslow de 1954, estaria desatualizada. De acordo com essa pesquisa, as necessidades atuais vão muito além da hierarquia proposta originalmente, aonde as pessoas perseguiam suas realizações pessoais apenas depois de resolver as necessidades relacionadas à fisiologia, segurança, amor/relacionamento e estima. Hoje em dia, passado o nível básico de sobrevivência, as pessoas não estão mais preocupadas em serem amadas primeiro para só depois buscarem crescimento pessoal, autoexpressão e conquistas profissionais. Com foco no ambiente profissional atual, o estudo sugere que os profissionais contemporâneos escolhem outro tipo de motivações: a carreira, a comunidade e o senso de propósito.

Em termos de carreira, a motivação é encontrar um trabalho que permita a expressão dos talentos, que dê autonomia, e que de alguma maneira viabilize o desenvolvimento profissional.

Em termos de comunidade, a busca é por sentimentos de conexão e pertencimento, como forma de sentir-se reconhecido, respeitado e cuidado no ambiente profissional.

E por fim, a 3ª grande motivação é o propósito, em referência à busca pelo sentimento de, por meio do trabalho, causar algum impacto positivo e significativo, ao desejo querer acreditar que se está fazendo algo de bom para o mundo, e assim, sentir orgulho do que faz.

 

Só que, mesmo com essa necessidade de encontrar autossatisfação e autorrealização no trabalho rapidamente se transformando num imperativo hoje em dia, outra pesquisa, do Instituto Gallup, indica que algo em torno de apenas 30% dos profissionais Americanos se sente ativamente envolvido, entusiasmado e comprometido com seu trabalho.

 

No começo pensei que as pesquisas fossem contraditórias: uma indicando o propósito como um entre os três grandes motivadores no trabalho, mas depois a outra falando que apenas 1/3 dos Americanos sentem o propósito em seus trabalhos – se o propósito é um tema tão importante, porque tão pouca gente se sente engajada em seu trabalho? Não deveria ser maior o contingente de pessoas que já teriam ido atrás de um dos grandes motivadores do trabalho? Fiquei pensando e depois concluí que a desconexão declarada na pesquisa Gallup poderia estar influenciada pela forma como processamos e classificamos as coisas, como se trabalhar a serviço de nosso propósito quisesse dizer que isso precisa ser a única coisa que faremos no dia a dia, como se propósito fosse um tema único e onipresente. Vou usar minha própria história para tentar exemplificar o que quero dizer.

 

Identificar e priorizar meu propósito teve muito peso na minha reorientação de carreira de alguns anos atrás. Quem me conhece sabe que dei uma guinada na carreira como executiva de multinacional para, depois de bastante trabalho e dedicação, ter entendido que ajudar profissionais a fazerem uma gestão mais consciente e estratégica de suas carreiras, era a perfeita intersecção entre o que eu gostava de fazer, o que eu era boa fazendo, o que o mundo precisava e pelo que eu poderia ser paga, ou seja, meu propósito, minha razão de ser. Desse entendimento encontrei minhas sócias e nasceu a Trilogie, nossa empresa de branding e carreira, que tem como Norte esse mesmo propósito de orientar profissionais ao longo de suas carreiras.

Corta para o dia a dia: mesmo conhecendo nosso propósito, tendo redirecionado minha carreira para atendê-lo, planejado e criado uma empresa regida por ele – mesmo com tudo isso, não posso dizer que a vivência desse meu propósito seja onipresente em tudo que eu faço no trabalho. Existem inúmeras outras atividades que, mesmo estando a serviço do nosso propósito norteador, não são exemplo dos momentos exatos em que estou efetivamente ajudando alguém com sua carreira…ainda sou eu mesma que organizo minha agenda, faço reuniões, tabulo pesquisas, respondo emails, lido com o contador, etc.

Essa foi uma grande constatação para mim: mesmo com tudo certo, propósito identificado, carreira orientada, trabalho alinhado…mesmo com tudo isso, no dia a dia a vivencia do meu propósito acontece em alguns momentos fugazes, mas não de forma onipresente. E e está tudo bem ser assim, porque esses poucos momentos fugazes são o suficiente para que me sinta envolvida, comprometida, útil e muito satisfeita com meu trabalho.

 

Ter um sentimento de Propósito no trabalho não precisa ser uma coisa tipo 8 ou 80, porque mesmo nos trabalhos mais incríveis e cheios de propósito, também precisamos nos dedicar a tarefas que preferiríamos não fazer. Isso acontece com todos nós.

 

Então, quando o tema é propósito, e você estiver se questionando se sua carreira ou trabalho estão permitindo sua autossatisfação e autorrealização, recomendo que você faça a seguinte reflexão: Exigir que o trabalho esteja 100% do tempo alimentando nosso propósito provavelmente seja algo muito difícil de atingir. Será então que essa busca não poderia ser revista? Acredito de verdade que essa revisão na forma de pensar permita que você gerência melhor suas expectativas e tenha um apreço muito maior dos momentos em que realmente estiver vivenciando uma atividade alinhada ao seu propósito quando ela estiver acontecendo.

 

Agora se feita essa conferência de expectativas, você ainda assim sentir que seu trabalho atual não é o lugar certo para vivenciar seu propósito, ou até mesmo que sua carreira o afasta desse seu Norte, aí a história é outra, e talvez seja o momento de considerar uma mudança de emprego ou de carreira até.

 

Para esses casos, ou mesmo para o caso de você ainda não ter clareza sobre qual é seu propósito, temos um programa da Trilogie que pode te ajudar. Chama-se Identificação de Propósito, e é um programa estruturado e sequencial que reforça o autoconhecimento, inspirando a descoberta da essência, talentos e valores, e motivando a experimentação e vivência da própria “jornada” alinhada ao seu propósito. Sou muito fã desse programa.

 

Enfim, resumindo e embaralhando, propósito é um componente muito importante para uma vida plena, longa, produtiva e feliz. Vale a pena dedicarmos um tempo não só para identificar como também para revisar e alinhar o que fazemos por ele!

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